Vizinhança 

No hospital tinha quatro vizinhas de enfermaria. Três delas de idade mais avançada. Duas delas com o mesmo nome. Como a primeira noite passei-a no corredor, só na terça feira as vi. A minha vizinha da direita, a B., era pouco mais velha do que eu. Tranquila, doce e amorosa. Acabamos por criar amizade num local onde tão poucos sentimentos eram bons. Ali, como ela dizia e bem, o sentimento era de que éramos invisíveis. E isso, acreditem, é bem pior do que nos sentirmos pequeninas. Variadas vezes juntamos as mãos, pelo meio das barras das camas de hospital, para ajudar uma ou a outra com dores. Aquele contacto fez-nos acreditar que tínhamos ali alguém que se importava connosco. Diminuiu a sombra das noites e aclarou os dias mais cinzentos. Obrigada, querida amiga, pelos apertos de mãos e pela conversa que nos ajudou às duas a passar o tempo e a esquecer as dores. Há pessoas que até podem passar de forma breve pela nossa vida, mas que a marcam de forma definitiva. E cabe a nós, vizinha, manter o que começamos numa enfermaria de um hospital. 

Gosto muito de si, minha B.! 🌸

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