Teste

E a vida resolveu testar -me mais uma vez. Depois de três meses a ir  trabalhar de canadiana, a fazer fisio ao pé esquerdo todos os dias para evitar uma operação aos ligamentos e …eis que, no primeiro dia da segunda de duas semanas de férias, caio e parto o pé esquerdo. A andar. De sapatilhas e pé elástico. Sem que nada o fizesse prever.

O mundo cor de rosa de umas férias, até aquele momento fantásticas, virou preto. Nunca tive tantas dores na minha vida. E já conto com algumas operações cirúrgicas e outros problemas de saúde. O dia 19 de Setembro, dia de anos do meu cunhado, vai ficar na história pelas piores razões. Foi um pesadelo. As dores desde que caí até ser atendida por um médico. O médico que colocou o osso no sítio sem anestesia. Pensei que não iria suportar. Ainda me arrepio ao pensar naqueles momentos mas aqui estou. De pé operado e imobilizado durante seis semanas. E o outro com entorse. Ou seja, deitada numa cama até que pelo menos um esteja em condições que me permitam fazer uma coisa tão básica como é o ir à casa de banho. Com ajuda para lá chegar mas conseguindo, vai ser uma vitória. Cada dia que passa é um dia que diminuo às seis semanas. Cada dia é um “passo” – deitado :D – para conseguir tirar o gesso e, a seguir, começar a fisioterapia. 

Desta semana no hospital, tenho histórias de ternura e histórias de fugir. Vou recomeçar a escrever neste meu espaço. A deitar para fora todas as emoções que fui armazenando. Umas saíram com lágrimas de dor ou de pura frustração. Outras saíram em forma de sorriso ou de gargalhada sentida. Sim. Também se ri numa enfermaria cheia de bolor e humidade. 

Obrigada a todos os que têm estado comigo, seja de que forma for. E em especial ao maridão que não me largou um segundo desde então, e que já levou o voto matrimonial “na saúde e na doença”, para além de um nível o mais longe que poderia algum dia imaginar. A cada “desculpa e obrigada”, ele responde”não farias o mesmo por mim?”. Claro que sim. A verdade é que tem sido sempre ele. 

Obrigada, Amor da minha vida, por estares de pedra e cal ao meu lado.

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