Medos & Marcas

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É assim que me sinto. No fundo de uma escadaria. A estrela é a minha saúde. E sempre que subi um degrau, voltei a descer. Cheguei a subir alguns. Deitei foguetes antes da hora. Olhando para o dia pior desta maratona de três meses e vinte dias de uma crise respiratória com várias fases, estou melhor. Tenho dificuldade a respirar e um cansaço constante derivado a isso, mas não me sinto a sufocar. Naquele dia 1 de Março achei mesmo que poderia morrer. E perguntei ao médico na urgência se, ao ir para casa, não corria o risco de isso me poder acontecer. Estava assustada. Muito assustada. Sei que podemos sair à rua e levar com um carro. Sei que temos sorte em estar vivos. Sei que há sempre alguém pior do que nós. Este tipo de frases, em dias como hoje, não ajudam em nada. Há dias em que somos nós que precisamos de colo. Há dias em que até as “pessoas cor de rosa” têm medo. Medo de me confirmarem doenças com o nome pomposo e assustador de “bronquite crónica obstrutiva” e de frases como “limitações ao seu dia-a-dia”, “ter oxigénio em casa” e “não consegue expirar sem esforço como deveria acontecer naturalmente”.

Há pessoas que conseguem ver em mim o lado frágil que (também) tenho. Outros só vêm a Alice que anima, que fala pelos sete cotovelos, que segura o Mundo e que acredita sempre em finais felizes. Hoje ao sentir ainda a inflamação nos brônquios, ao fim de 64 comprimidos de cortisona, só consigo acreditar no “crónico”. E isso, para mim, é tudo menos um final feliz. Vou enfrentar? Vou. Como sempre fiz. Com tudo e todos. Se estou bem? Não. Preciso de respostas para seguir em frente. Seja esse “seguir em frente” o que for. Quinta e sexta feira são as consultas com os especialistas. Daqui a dois dias. Falta pouco.

Hoje sou eu que preciso de colo. Para amanhã, dia de Junta Médica, subir um degrau. Sem medos de médicos que me trataram mal, numa mesma Junta Médica, num pós AVC. Vai fazer três anos, acho que neste mesmo mês, e os fantasmas apareceram. “Não vai acontecer de novo”. Estou a repetir isto até à exaustão desde manhã e a tentar afugentar a nuvem escura que se instalou sobre a minha cabeça. Há situações que se ultrapassam mas que deixam marcas. A injustiça daquela Junta Médica ficou. Descobri essa marca hoje.

2 comentários (+add yours?)

  1. Fernanda Trindade
    Abr 07, 2015 @ 22:16:36

    Coragem…vai haver dias melhores!

    Responder

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