Psicóloga

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Já me disseram que escrevo “demais” aqui. De que me abro “demais”. De que a minha vida é um livro aberto. Muito por causa deste meu canto e do quanto eu já escrevi aqui. De amores. De doenças. De tristezas. De alegrias. De experiências da minha vida. De sentimentos. Durante um tempo até acabei por “ceder” e retrair-me de o fazer. Acabei por ir fazendo posts mais descontraídos e que me davam gozo colocar. Talvez fosse mais sensato resguardar-me mais. Ser mais contida. Acredito que até fosse. Mas eu não sou assim. Sou, por natureza, uma pessoa aberta às pessoas e ao Mundo. Menos do que há uns anos, mas continuo a ser a Alice que fala dela, do que sente e que adora pessoas.

Infelizmente ainda há muito quem considere que pessoas que tomam anti-depressivos e vão ao psicólogas são fracas. Pois bem. Eu há quinze anos precisei de ajuda de uma psicoterapeuta. Tomei medicação. Fui a diversas sessões durante cerca de dois anos. Fez-me muito bem. Ajudou-me a lidar comigo mesmo e, por consequência, com os outros. Deixei de ir quando senti que já não precisava.

Após o acidente neurológico, voltei. Há três anos. Desta vez a uma psiquiatra dado que se tratava de uma exaustão. O termo técnico é “burn out”. Medicação que ajudou a melhorar a capacidade de memória e de resistência à pressão e cansaço extremo – psicológico e físico – a que tinha chegado. Saí mais forte.

Ontem recorri pela terceira vez a uma ajuda de uma psicóloga. Adorei. Pela primeira vez entrei num consultório onde não existia uma secretária. Só cadeirões, mantas e uma média luz. Senti-me numa sala de estar. Senti-me acolhida. E falei. Praticamente sem parar durante uma hora. A Dra ouviu-me, interrompendo para algumas perguntas, mas ouviu tudo com um sorriso encorajador no rosto. Se me sinto fraca por ter lá ido? Não. Sinto-me forte por assumir perante mim mesma que preciso de ajuda numa altura da minha vida em que muita coisa está a acontecer. Tenho um marido fantástico. Uma família fantástica. Amigos fantásticos. O meu Mundo de Afectos de que tanto me orgulho. Posso falar com qualquer uma destas pessoas. E falo. E desabafo. Talvez a diferença esteja em ser alguém que não nos conhece e que está lá, com tudo o que aprendeu, para ajudar a desatar nós e a dar dicas preciosas de como lidar com situações com as quais não estamos a saber gerir.

Fez-me bem. O abraço final também. Vou voltar. As vezes que forem precisas para me sentir de novo equilibrada. Ninguém que recorra a este tipo de médico é fraco ou “maluco”. São pessoas que, como eu, sentem que precisam de alguém como a Dra P. <3

2 comentários (+add yours?)

  1. Alexandra Pacheco
    Jan 28, 2015 @ 23:50:28

    A “fraqueza” é exactamente daqueles que julgam quem tem coragem de admitir que às vezes precisamos de ajuda. Não costumo comentar por aqui, mas vou lendo. Este post tinha de dizer alguma coisa, porque podia ter sido eu a escrever quase todas as palavras.
    Quis só deixar um beijinho e um abraço menina bonita :)

    Responder

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