Decisões

image

Eu mudei. Todos mudamos. Só me lembro da minha vida enquanto tal, com recordações, a partir dos dez anos. E como mudei entretanto. De menina tímida em Coimbra para a menina extrovertida no Porto. Teve tudo que ver com a cidade e com quem vivi. Duas tias. Muito diferentes. Tenho a agradecer às duas terem feito parte do meu crescimento enquanto pessoa. Numa fase tão importante quanto a adolescência. Uma dos meus dez aos quinze anos. Outra dos meus quinze aos vinte anos. O que é certo é que a menina faladora e beijoqueira “nasceu” no Porto. E casou, a acreditar que era para sempre. E divorciou-se ao fim de menos de dois anos, a ter que ver a dura realidade de que não há príncipes encantados e que o conto de fadas teve um fim. Doloroso. Complicado. E que, como tantas outras coisas, nos muda.

Comecei outro relacionamento. Olhando para trás, talvez tenha sido demasiado cedo. Talvez devesse ter deixado o coração fazer o luto da relação que não resultou. Não o fiz. O que é certo é que tomamos as decisões baseadas no que nos parece correcto na altura. E o melhor amigo virou marido. Faz para o ano duas décadas de vida.

Não sou a mesma. Abdiquei do sonho de ser mãe pelo casamento. E noto que,  em vez de ter aceite e aprendido a lidar com a falta, tem sido cada vez pior. Acho que o facto de toda a gente ter tido (durante estes anos) filhos e, de repente, olhar ao meu redor e eu ser a única a quem um pequeno ser não chama “mãe” bate forte. Mais uma vez a dúvida vem à cabeça. Terá sido a atitude mais certa? Na altura foi uma luta de que desisti. Sempre achei que um filho seria para ter a dois. Não era. Só eu o queria e desejava. Não tive.

E agora estou numa estrada com vários caminhos. Numa altura da vida em que tenho que pensar no que quero fazer. Eu. O que será para mim a “felicidade”. O que me preenche. O que poderei -ainda – alcançar e que poderei até já ter tido mas perdido na caminhada da vida. Ou decidir ficar e lutar. Ou. Ou. Ou. Na vida temos um manancial de decisões a tomar. Fi-lo há pouco com a profissão. Decidi ir para uma loja de rua porque achei que seria o melhor para mim. Decisão tomada com a mais completa noção de que ia perder e ganhar. E tomei-a. Não de forma indolor. Todas as decisões e mudanças implicam dor. A partir do momento em que o faço, não olho para trás. Sigo em frente. De alma e coração. Uma das minhas mais vincadas características.

Sou bastante pragmática apesar de ser muito “coração”. Sou mais racional do que muita gente pensa. E cheguei a um ponto da minha vida em que tenho que olhar para dentro. Pensar. Fazer algo que não é o meu forte. Ficar em silêncio e ouvir. O meu coração e a minha cabeça. Sei que, o que decidir, vou fazê-lo de forma clara e linear. Com a certeza de que vou ganhar e perder. Sem a certeza de que isso será o melhor para mim. Porque isso, Alice, só o futuro o dirá. Uma bola de cristal ajudaria. Mas no mundo real, e não no tal Mundo das Maravilhas, tal coisa não existe.

2 comentários (+add yours?)

  1. Carla Sousa
    Jul 17, 2014 @ 10:25:19

    Imagino o turbilhão de questões que povoam a tua cabecinha e coração, minha querida! Mas, ao mesmo tempo, fico feliz (e acho que vais entender a razão) que estejas nessa fase de interrogações, dúvidas e decisões porque, apesar da dor de pensar nelas ou de teres de tomar uma decisão menos fácil, será um passo em frente na tua paz interior e isso será o melhor de tudo. E se a decisão ‘lá atrás’ não foi a melhor e agora a questionas, porque não tomar outra neste momento que, mesmo não sendo a que todos querem, é aquela que te deixa feliz? Já viste que tens (quase) sempre a possibilidade de voltar atrás? Força, amiga!!!

    Continua a escutar o teu <3 . Vais ver que encontrarás a solução!

    Beijinhos*

    LY

    Responder

  2. Isabel Borges
    Jul 17, 2014 @ 17:45:38

    Lá muito atrás, no tempo, um loongo tempo abordamos estas questões. Foi há muitos anos…muita coisa mudou…há instintos que são estimulados, outros são “trabalhados”, outros…que são um dom… e é uma enorme injustiça não dar azo a esse dom. Nem todos temos o privilégio de o ter. Eu não o tinha muito “trabalhado” há 13 anos atrás…Mas a vida é feita de conquistas, de cedências, de decisões, com as quais temos que viver. E se não arriscamos, nunca vamos saber…depois podemos repetir a decisão ou não…mas não nos arrependemos nunca, mesmo nos momentos mais difíceis, de ter arriscado:)
    Há alturas da vida em que fazemos balanços, reflexões…mesmo só suspeitando do que se trata…que alguma entidade (em que acredites…) te ilumine, aconselhe e aconchegue nesta decisão. Um beijo enorme! Isabel

    Responder

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Facebook

Julho 2014
M T W T F S S
« Jun   Ago »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  
%d bloggers like this: