“País das Maravilhas”

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Flores. Borboletas. Alice. O meu Mundo encantado. Neste momento não o sinto de todo. Sinto-me num mar revolto. Em que nada parece fazer sentido. Em que, tal como a Alice da história,  estou a cair de cabeça num buraco sem fim. Foram meses de angústia. Foram dias de despedidas difíceis.  Semanas de uma adaptação que, por muitos aspectos positivos que tenha tido, teve dois dias terríveis. Dias em que me senti enxovalhada e humilhada por gente que tem a mania que é mais importante que os outros. Na altura reajo de forma calma e digo tudo aquilo que tenho a dizer. Depois desabo.  Choro. Sinto a injustiça do esforço que fazemos, e das horas pessoais que perdemos, não ser reconhecida. E apetece deitar a toalha ao chão. Deixar de correr de um lado para o outro para que tudo esteja a tempo e horas quando os clientes precisam. Sei que amanhã vou voltar a fazer tudo igual. São mais de vinte anos a fazê lo. Não sei trabalhar de outra forma. Continuo a achar que é a forma mais correcta. Aquela que me é intrínseca.

Sempre acreditei na velha frase do “Quem Quer Faz.” Eu sou assim. Para o bem e para o mal. Mais para o bem. Gosto e digo. Apetece-me estar com alguém e movo mundos para o conseguir. Não estou bem e confesso à primeira. Acredito que viver seja isto. Fazer as coisas que nos fazem felizes e com quem nos faz feliz. Não faz sentido de outra forma. Ando há demasiado tempo a não me sentir viva. Alegre. Feliz. Por motivos que podem até ter uma explicação lógica. Doenças. Trabalho. Dinheiro. Ou, no caso, a falta dele. O lutar durante anos contra uma inércia que me é completamente anti natura. Eu sou uma mulher de acção. Por muito difícil que a situação seja,  eu enfrento. Sempre fui assim.  Sempre fui o esteio da família.  A quem se recorre quando é preciso acalmar alguém que está a mandar televisores pelo ar. Mesmo sendo eu ainda adolescente. Em adulta continuei a fazê lo. Talvez com uma maior frieza que a maturidade nos traz. Digo, às vezes, coisas que podem chocar. Como o não ter saudades de pessoas de quem é “suposto” ter – se. Ao mesmo tempo sei que sou de uma ternura e atenção imensa com quem amo. As minhas crianças. As minhas irmãs. O meu Mundo de Afectos. E nesse campo, hoje fiquei de coração partido por duas vezes. Em situações completamente distintas mas que tiveram o mesmo efeito. Entender que nada posso fazer para as alterar ou melhorar não faz com que a tristeza desapareça. Entender que a vida nem sempre nos faz a vontade também não. Num dia normal o impacto seria outro. Tudo junto formou um “bolo” na garganta que só um vale de lágrimas conseguiu desfazer. Chorar não é mau. Já o aprendi há algum tempo. E a minha dose de risos e gargalhadas é bem maior que a das lágrimas. O que é muito bom.

Cheguei a casa. Comi porque achei que o deveria fazer apesar da vontade não ser nenhuma. E deitei me às nove e meia da noite. Com um comprimido adicional para conseguir relaxar. Acordei às duas da madrugads e a cabeça não parava.  Resolvi fazer uma das coisas que melhor me faz. Escrever. São quatro da manhã e vou tentar voltar a dormir. Depois da terapia da escrita. :)

Hoje tiraram – me a capacidade de sorrir. Amanhã sei que vou sorrir de novo. Acordo de bem com a vida quase cem por cento das vezes. Tudo tem solução. Ou não vivesse eu num “Mundo das Maravilhas” e não fosse completamente “cor-de-rosa”. 💟

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