Queimaduras

Responsabilidade. Na idade da adolescência ouvimos dizer que é melhor vivermos bem essa fase porque depois é que vêm os tempos difíceis. Não acreditamos. A ânsia de seguirmos em frente é grande. Comecei a estagiar aos 18 anos. Recebi o meu primeiro ordenado de estagiária no dia em que fiz 19 anos. Foi uma alegria e um orgulho. Era responsável pelo meu trabalho, que na altura se baseava em enviar telexes e pedidos de reservas a hotéis e operadores, e até recebia por isso. Acabado o curso, comecei a trabalhar. Agora a sério. Tinha 21 anos. Passaram-se vinte anos.

Ganhei amigos, tive bons e maus colegas, conheci pessoas fantásticas e outras que nem por isso. Clientes doces, arrogantes, simpáticos. Vi quase de tudo. Processos que parecem enguiçados desde o início até ao fim. Uns fáceis e outros mais complicados. De qualquer forma, resolvem-se sempre.

Não me assusta a responsabilidade. Complicado mesmo é gerir as consequências de decisões que não escolhemos. Lidar com as mudanças que, inevitavelmente, acontecem. Viver com amizades em stand-by ou irremediavelmente perdidas, à custa dessas mudanças que não pedimos nem procuramos. E tentamos continuar com um sorriso nos lábios e acreditar que tudo só poderá melhorar. Afinal de contas, todas as queimaduras curam. Seja com pasta dos dentes, água corrente ou qualquer outra coisa. Só levam um certo tempo.

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“Acorda, preguiça!”

2007. Florianapólis. Brasil. Estava numa fam-trip com outros agentes de viagens. Para quem não é do ramo, trata-se de viagens organizadas pelos operadores, agências de viagens ou companhias aéreas, para que os agentes de viagens conheçam os destinos e os respectivos hotéis. Fui a última que fiz e, sem dúvida a mais divertida. Fiz amigos que mantenho até hoje.

De dia andávamos a fazer o trabalho agradável de ver as unidades hoteleiras, as praias e os locais turísticos e à noite… forró! Literalmente. Fomos dançar forró. Fomos a uma discoteca geriátrica. Tivemos jantares com sessão de anedotas de horas. Com isto, claro que não sobrava muito tempo para dormir.

Nas duas primeiras noites ficamos em quartos individuais. Nas restantes, tivemos que partilhar o quarto com colegas. Calhou-me na rifa uma colega da empresa, que era um amor, mas que se deitava com as galinhas. E acordava à mesma hora que elas. E assim tipo uma hora antes do pequeno-almoço já ela andava a cirandar pelo quarto a gritar a plenos pulmões “acorda, preguiça!!!!”. E eu morta de sono. A querer aproveitar todos os segundos possíveis nos braços de Morfeu. Um terror. Esta frase ficou marcada para sempre. Se me quiserem acordar, por favor, nunca digam isto! :)

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